quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Transtorno da Personalidade Anti-Social: os Pacientes Esquecidos da Psiquiatria

A Personalidade Anti-Social(PAS) é caracterizada por um padrão de comportamento socialmente irresponsável, explorador e sem culpa que começa nos primeiros anos de vida ou no início da adolescência e se manifesta por distúrbios em muitas áreas da vida, inclusive nas relações familiares, na área acadêmica, no trabalho, no serviço militar e no casamento.

Os comportamentos anti-sociais incluem criminalidade, insucesso em manter um emprego de maneira consistente, manipulação de outros para ganho pessoal, freqüentes atos de trapaças em relação a outros e insucesso em desenvolver relações interpessoais estáveis.2 Outros atributos da PAS incluem falta de empatia com outros, raramente experimentar remorso e falha em aprender com os resultados negativos das experiências de alguém. Os comportamentos anti-sociais variam de atos relativamente pouco importantes, como mentir ou trair, a atos hediondos, inclusive tortura, estupro ou homicídio. Embora a PAS seja generalizada, sua importância raramente é reconhecida. Com observou o psiquiatra Hervey Cleckley,3 em 1976, a pessoa anti-social é “a pessoa esquecida da psiquiatria que provavelmente causa mais infelicidade e mais perplexidade ao público que todos os pacientes com distúrbios mentais combinados.”

História
O comportamento anti-social tem sido descrito durante toda a história registrada; ainda assim, as descrições formais de comportamento anti-social datam apenas do início do século XIX. Philippe Pinel, líder da Revolução Francesa e fundador da psiquiatria moderna, usou o termo manie sans délire (mania sem delírio) para descrever pessoas que não eram loucas, mas tinham crises irracionais de raiva e violência.4 Benjamin Rush,5 médico que assinou a Declaração da Independência nos Estados Unidos, descreveu casos semelhantes que ele acreditava fossem causados por uma “organização defeituosa naquelas partes do corpo que são ocupadas pelas faculdades morais da mente.” O médico escocês James Pritchard escreveu sobre insanidade moral, a qual ele identificou como uma patologia em que pessoas normais no restante dos aspectos se envolvem intencionalmente em comportamento anti-social.

No final do século XIX, psiquiatras alemães cunharam o termo “psicopatia” (uma contração de psychological pathology – patologia psicológica) para descrever ampla gama de comportamentos inaceitáveis e excentricidades; eles implicaram que a personalidade psicopática fosse causada por fatores constitucionais. O termo foi popularizado mais tarde por David Henderson,6 que escreveu e publicou obras quase ao mesmo tempo.

Cleckley, cuja obra foi reconhecida e se tornou altamente influente na América do Norte, forneceu a primeira descrição coerente de personalidade anti-social no agora clássico Mask of Sanity (Máscara da Sanidade), originalmente publicado em 1941. Colocando a PAS à parte de outras patologias psiquiátricas e anormalidades do comportamento, ele demonstrou, através de uma série de vinhetas de casos, como o distúrbio transcende a classe social. Os atuais conhecimentos sobre PAS refletem muitas teorias e interpretações propostas em seu trabalho pioneiro. Cleckley3 também destacou que os psicopatas não são loucos e que seus atos, conquanto deploráveis, são deliberados e intencionais. Ele argumentou que o distúrbio jamais deve ser considerado uma desculpa para mau comportamento.

O termo “desequilíbrio da personalidade sociopática”, que substituiu “psicopatia”, foi incluído no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Primeira Edição (DSM-I), compêndio de distúrbios mentais reconhecidos publicado em 1952.7 Os psiquiatras usavam o termo “distúrbio da personalidade psicopática” para descrever pessoas que exibiam comportamento anormal em relação ao seu ambiente. Adições a drogas, alcoolismo e comportamentos sexuais aberrantes foram relacionados como subtipos importantes. O termo “transtorno da personalidade anti-social” foi introduzido em 1968 no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Segunda Edição (DSM-II).8 A PAS finalmente assumiu um lugar em separado entre as várias categorias de diagnóstico; já não estava ligada a adições ou sexualidade diferente da norma. Como “sociopatia” o termo “anti-social” implica que o desequilíbrio é dirigido contra a sociedade e suas muitas regras e regulamentos.

Os critérios de diagnóstico foram enumerados com a publicação do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Terceira Edição (DSM-III),9 em 1980, e foram baseados, em parte, na pesquisa conduzida nas décadas de 40 e 50 por Robins e colegas10 na Universidade Washington em St. Louis, e por Sheldon e Eleanor Glueck11 na Universidade de Harvard em Boston. Ambas as equipes de pesquisa demonstraram independentemente a continuidade entre problemas comportamentais na infância e na idade adulta, ambos os quais eram necessários para o diagnóstico. Os critérios foram simplificados desde então no DSM.IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª Edição). Trecho do site
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